quarta-feira, 22 de abril de 2015

PANTCHA-TANTRA - POSTAGEM 8

     9 – A HISTÓRIA DO CHACAL AZUL
     
     Chandaraka era um chacal que vivia na floresta. Um dia, guiado pela fome, chegou às cercanias de uma cidade, à procura de comida. Ao avistá-lo, uma matilha de vira-latas começou a segui-lo, pretendendo atacá-lo assim que possível. Em pânico, o chacal entrou em uma tinturaria, escondendo-se em uma tinta cheia de anil, usado para descolorir roupas. Quando saiu de lá, havia se tornado um animal azul. Pensando que não era o chacal que perseguiam, os vira-latas se dispersaram.
     O chacal voltou à floresta com o corpo pintado de azul. Quando os leões, tigres, panteras, lobos e outros animais o viram, se assustaram e correram pra tudo que é lado, pensando: “Não conhecemos sua força, então é melhor manter distância. Dizem os antigos que não se deve confiar naqueles cuja força, casta e conduta não se conhece”.
     Ao vê-los assustados, o chacal disse: “Por quê correm assim? Não há o que temer. Sou uma criação especial de Deus. Ele me disse que os animais desta selva não têm líder, e me nomeou seu rei. Ele nomeou-me Kakudruma e ordenou que eu os liderasse. De hoje em diante, todos viverão em segurança, sob a umbrela de minha proteção”.
     Todos o aceitaram como rei. Em troca, ele nomeou o leão como seu ministro, o tigre como camareiro e o lobo como guarda do portão. Depois de atribuir estas obrigações aos animais, o novo rei Kakudruma baniu todos os chacais da floresta. Os leões, tigres e lobos mataram os outros animais e os enviaram como provisões para o rei. Pegando sua parte, Kakudruma distribuiu o restante do abate entre seus súditos.
     Um dia, quando o chacal azul presidia uma assembléia, ouviu uma matilha de chacais uivando. Comovido com o som de sua própria raça, Kakudruma começou a uivar também. Os leões e outros imediatamente reconheceram que aquele rei era apenas um chacal e não um enviado de Deus. De uma só vez, pularam sobre ele e o mataram.

     “A moral”, disse Damanaka, “é que quem abandona seu povo, morrerá”.
     “Mas como posso eu acreditar que Sanjeevaka tenha más intenções”?, perguntou Pingalaka.
     “Ele me disse hoje que pretende matá-lo amanhã. Se o observar cuidadosamente pela manhã, vai encontrá-lo de olhos injetados e ocupando um lugar que ele não merece. Ele o olhará. Majestade, raivosamente. Se isso que digo for verdade, cabe a ti decidir o que fazer com Sanjeevaka”.
     Depois deste encontro com o leão-rei, Damanaka foi avistar-se com Sanjeevaka. Este o recebeu com cortesia, dizendo “Nos encontramos depois de muito tempo. O que posso fazer por você? É sempre abençoado aquele que recebe a visita dos amigos”!
     “Está certo, senhor. Mas o quê aos serviçais? Eles perdem sua liberdade em busca do dinheiro. Não conhecem descanso, não têm apetite e não podem falar sem medo. Mas continuam vivendo assim. Alguém, acertadamente, comparou esta a uma vida de cão”.
     “Direto ao ponto, amigo”. O novilho estava impaciente.
     “Senhor, um ministro não deve dar maus conselhos. Tampouco pode revelar segredos de estado. Se o fizer, irá para o inferno após sua morte. Mas por causa de sua amizade, tenho que revelar um segredo. Afinal, foi por minha sugestão que o senhor obteve um lugar na corte real. Pingalaka tem más intenções contra vós. Quando estivemos sozinhos, disse-me que vai matá-lo e trazer felicidade para todos no palácio. Eu disse ao rei que isso era stabbing a friend in teh back. Orei está com raiva, disse que você é vegetariano, e ele é carnívoro, e isso é uma dissidência natural entre vocês.Disse que era, para ele, razão suficiente para matá-lo. Esse é o segredo que trago comigo há longo tempo. Agora depende do senhor fazer o que for necessário”.
     Sanjeevaka fainted on ao ouvir estas palavras. Se recobrando depois de algum tempo, assim falou: “Já foi observado, corretamente, que aquele que serve a um rei se assemelha a um boi sem chifres.É difícil entender a mente de um rei, para quem não pensa de maneira igual. Não é fácil servir a um rei. Mesmo os sábios não conseguem ler-lhe a mente. Creio que alguns serviçais, invejosos de minha amizade com o rei, envenenaram seu juízo”.
     “Não se preocupe com isso”, disse Damanaka, “esqueça o que os serviçais possam ter dito ao rei. Você ainda pode recuperar sua confiança, usando as palavras certas”.
     “Não é verdade. É impossível conviver com gente perversa, por mais insignificantes que sejam. Sempre pensam em mil maneiras de nos envolver na mesma armadilha em que o corvo e o chacal envolveram o camelo”.
     “Parece interessante”, disse Damanaka. “Conte-me o que houve com o camelo”.

     Sanjeevaka começou a contar a história. 

     10 – O CAMELO, O CHACAL E O CORVO

     Em uma floresta distante, vivia um leão chamado Madotkata servido por um leopardo, um chacal e um corvo. Um dia eles encontraram Kradanaka, um camelo que perdera seu caminho. Achando que o camelo era um animal incomum, o leão pediu a seu assistente para descobrir se era um animal selvagem ou doméstico. O corvo disse que o camelo era um animal doméstico feito para ser morto e comido. Recusando-se a comer Kradanaka, o leão disse:
     “Não vou matar alguém que veio em busca de hospitalidade. De acordo com os antigos, você não pode matar mesmo um inimigo que tenha confiado em você. Aquele que mata assim, comete o pecado de matar cem brâmanes. Garanta-lhe segurança e traga-o para mim”.
     Os três assistentes levaram o camelo à presença do leão. Quando o leão pediu ao camelo que contasse sua história, Kradanaka disse-lhe que fazia parte de uma caravana de comércio e tinha perdido o seu caminho. O leão disse ao camelo, “Kradanaka, por quê voltar para sua aldeia e tornar-se mais uma vez uma besta de carga? Permaneça conosco sem hesitação e banqueteie-se nesta erva”. Assim, o camelo ficou vivendo feliz com o leão e os seus três assistentes.
     Um dia, o leão foi pego em uma luta com um elefante. O elefante atingiu Madotkata com suas presas de marfim e feriu-o gravemente. Ele ficou demasiado fraco para caçar. Sem alimento, não estava em posição de fazer qualquer coisa. Então, o leão pediu aos assistentes que saíssem e procurassem algum animal para sua refeição:
     “Traga o animal aqui. Eu vou matá-lo de alguma forma e fornecer alimento para todos vocês”, disse o leão.
     O leopardo, o chacal e o corvo procuraram em toda parte, mas não conseguiram encontrar ninguém. O chacal então disse ao corvo, reservadamente:
      “Amigo, pra quê perder tempo com isso? Temos Kradanaka, o camelo, amigo leal de nosso senhor. Vamos matá-lo e sobreviver”.
     “Isso seria bom. Contudo, não podemos matá-lo porque nosso senhor assegurou-lhe proteção”, disse o corvo.
     “Deixe isso comigo. Vou convencer Madotkata a matar o camelo. Espere aqui. Eu vou conversar com o senhor e obter a sua permissão”, disse o chacal, e saiu para ver o leão.
     O chacal disse a seu senhor: “Oh... fomos a todos os cantos da floresta. Não foi possível encontrar um único animal. Estamos cansados, fracos e famintos. Já que meu senhor está na mesma condição, humildemente sugiro que façamos uma refeição deste camelo”.
     Altamente irritado, o leão disse: “Seu pecador, se repetir essas palavras, vou te matar primeiro! Eu dei a ele a minha palavra! Como posso matá-lo? Não disseram nossos sábios que nenhuma dádiva da terra, nem gado, nem alimentos, é maior que o dom de uma garantia”?
     “Está certo, meu senhor. É um pecado matar a quem se deu a palavra. Mas se o camelo voluntariamente se oferecer como alimento, não é pecado aceitar a oferta. Se ele não for voluntário, o senhor pode matar qualquer um de nós. Está com fome e perto de seu fim. Se não tivermos serventia para o senhor neste momento, que valor têm nossas vidas? Se algo indesejável acontecer ao nosso senhor, vamos sacrificar a nós mesmos”.
      “Isso parece mais razoável”, disse o leão.
     O chacal disse aos outros dois assistentes: “Amigos, nosso senhor está em um estado lastimável. Agora não há ninguém para nos proteger de outras feras. Em vez de, sem rumo, buscar alimento na floresta, vamos oferecer nossos corpos a ele, que irá nos livrar do peso da dívida. O servo que testemunha impotente a morte de seu mestre vai para o inferno”.
     Depois deste argumento, todos eles olharam para o leão com lágrimas nos olhos. “Qual é o problema, corvo? Você achou algum animal”?, perguntou o leão.
     “Não, meu senhor”, respondeu o corvo, “buscamos em cada centímetro da floresta. Não estamos com sorte. Não encontramos nada. Mas peço ao senhor que me tome para sua refeição. Vamos matar dois pássaros com um tiro: o senhor vai sobreviver e eu irei para o céu. Aquele que dá a sua vida para salvar o seu senhor não terá nenhum renascimento”, disse o corvo.

     Era agora a vez do chacal demonstrar sua lealdade. Ele disse: “Meu amigo corvo, seu corpo é muito pequeno para saciar a fome de meu senhor. Só vai fazê-lo sentir mais fome, e isso é um pecado. Saia do meu caminho. Tenho que apresentar um apelo ao meu senhor”. Dirigindo-se ao leão, o chacal disse: “Senhor, peço-lhe ter-me para a sua refeição e garantir-me um lugar no céu. O senhor tem direitos de vida e morte sobre seus servos. Não é pecado o exercício de seus direitos”.
     O leopardo interveio e disse: “Você, chacal, não tem grande personalidade. Deixe-me pleitear junto ao senhor”. Dirigindo-se a Madotkata, o leopardo disse: “Oh, senhor, deixe-me dar a vida para salvar a sua. Por favor, permita-me ganhar uma vaga permanente no céu. Meu sacrifício vai ganhar fama para mim na terra”.
     Durante esse tempo, Kradanaka pensava: “Todos esses servos do senhor disseram o que queriam dizer. Ainda assim, o leão não matou nenhum deles. Deixe-me também oferecer-me para ser hoje o alimento do leão. Tenho certeza de que meus amigos vão me apoiar”.
     Ele então se virou para o leopardo e disse: “O que você disse é certo e apropriado. Mas você é um animal carnívoro e pertence à mesma espécie que o mestre. Como ele pode matá-lo? Deixe-me oferecer a mim mesmo”. Em seguida, veio à frente e pediu ao leão para tê-lo como refeição do dia. Imediatamente, o chacal e o leopardo atacaram-no e rasgaram-no em pedaços, e todos eles tiveram um banquete suntuoso.
     Com a história terminada, Sanjeevaka disse a Damanaka: “Os perversos cercam o rei. Os homens de bem não devem servir tais mestres. Vou precisar do seu conselho para sair desse problema”.
      “O melhor caminho é deixar o país”, disse Damanaka.
      “Não é sábio fugir quando o rei ainda está zangado. Ele pode chegar a qualquer lugar que eu vá. Minha única alternativa é fazer guerra ao rei”.  
     Damanaka tinha medo de que se Sanjeevaka escolhesse lutar, Pingalaka, o leão, poderia morrer, e isso seria um desastre. “Deixe-me persuadir o novilho a sair da floresta”, ele pensou.
     “Ir à guerra poderia ser um caminho. Mas como pode haver uma guerra entre um servo e um rei? Se você subestimar a força de seu inimigo, vai conhecer o mesmo destino que o Mar proporcionou ao casal de aves”.
     Curioso, Sanjeevaka perguntou: “O que aconteceu com as aves?”

     11 – O CASAL DE PÁSSAROS E O MAR

     Era uma vez um par de faisões que vivia perto do mar. Eles passavam o tempo cantando e dançando alegremente nos ramos das árvores. Um dia, a fêmea disse ao marido que estava esperando um bebê e ele devia procurar um lugar seguro para colocarem os ovos. O marido disse:
     “Querida, esta beira-mar é encantadora! Você deve por os ovos aqui”.
     A esposa disse: “Quando é lua cheia, a maré alta pode levar até mesmo elefantes. Vamos para outro lugar”.
     Divertido, o marido respondeu: “O que você diz é verdade. Mas o mar não tem poder para nos prejudicar. Você não sabe que não há quem possa conter o vôo de um pássaro? Seria como entrar no fogo sem se queimar. Alguém seria ousado a ponto de desafiar Yama, o Senhor da Morte? Você pode colocar seus ovos aqui”.
     Ouvindo esse diálogo, o Mar pensou: “Que vaidoso é este pássaro, que é tão pequeno como um verme! Vou afogar esses ovos e quero ver o que ele fará”.
     Após a postura dos ovos, a fêmea foi em busca de comida. Em sua ausência, o Mar enviou uma onda que levou os ovos. A fêmea retornou ao ninho e, não encontrando os ovos lá, disse ao marido:
     “Você é um tolo. Eu lhe disse que as ondas iam levar os ovos. Aqueles que não atendem as boas palavras de um amigo morrerão como a tartaruga que caiu do bastão”.
     “Que tartaruga e que bastão?”, perguntou o marido.
    
     Era uma vez uma tartaruga chamada Kambugriva que vivia em uma lagoa. Ali havia dois cisnes, Sankat e Vikat, bons amigos. Todos os dias eles se encontravam na borda da lagoa e discutiam as lendas de outrora. Iam embora com o pôr do sol.
     Naquele ano, não houve chuvas e a água da lagoa começou lentamente a desaparecer. Preocupados, os cisnes disseram à tartaruga: “Amiga, o que vai acontecer com você? Nós estamos preocupados”.
     “Eu aprecio seu interesse por mim. Realmente, vem problema por aí. Por favor, encontrem uma saída desta crise. Mas é importante lembrar que não devemos ceder ao desespero. De acordo com Manu (???), todos os homens de bem devem vir em socorro dos amigos e parentes em momentos de necessidade. Procurem por um pedaço de pau ou uma corda. Eu me agarrarei a ele. Vocês segurarão um de cada lado, e me carregarão em segurança”.
     “Vamos fazer como você diz”, os cisnes disseram. “Mas mantenha a boca bem fechada, caso contrário, vai cair no chão”.
     Kambugriva concordou. Os cisnes trouxeram uma vara e deram-na à tartaruga para segurá-la com a boca. Quando tudo estava pronto, os cisnes voaram com a tartaruga pendurada. Quando as pessoas lá embaixo viram esta situação, exclamaram: “veja, como são inteligentes os pássaros”! Na tentativa de responder a essas pessoas, a tartaruga abriu a boca e caiu no chão, e as pessoas a mataram rapidamente.
     “A lição é que aqueles que não acatam os conselhos de seus amigos, encontram seu fim como a tartaruga. Em qualquer tempo, os que sobrevivem são aqueles que prevêem o perigo e lidam com ele, quando ele chega. Aqueles que deixam as coisas para o destino e acreditam na sorte irão destruir-se como Yadbhavishya “, disse a fêmea.
     “O que aconteceu com Yadbhavishya”?, perguntou o macho. 

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