sábado, 17 de março de 2012

TEATRO-EDUCAÇÃO: EXPERIÊNCIAS DO DIA-A-DIA - PARTE 2

TEATRO-EDUCAÇÃO:
EXPERIÊNCIAS DO DIA-A-DIA 
2ª. PARTE

Registrado no Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional sob o nº. 014665-V02


     O primeiro relatório que fiz diz respeito exatamente à decisão de fazer relatórios. Era, portanto, mais uma reflexão que um relatório. Ao longo dos anos acabei perdendo-o, e não posso registrá-lo fielmente aqui. Mas lembro-me que quando o reli, anos depois de tê-lo feito, percebi um certo excesso de confiança na intuição, no “jeito com crianças”. Não que não nos guiemos também por isso, pelo intuitivo – mas naquele momento, parece que eu tinha apenas isso.

     Pouco tempo depois da Primeiro Degrau, a creche-escola Conto de Fadas, também no Rio, me chamou para dar aulas para grupos da mesma idade. A partir daí, eu já tomara uma postura mais metódica: apresentei um pequeno projeto e passei a redigir relatórios diários. Isso acabou se tornando um hábito que me acompanhou, de maneira não sistemática, em quase todas as minhas outras atividades no teatro: ensaiando atores, lendo textos, ministrando oficinas rápidas. Digo não sistemático porque em alguns casos, pelos mais diversos motivos, não foi possível fazer relatórios, ao menos com o rigor que eu desejava. Mas sempre busquei encontrar tempo para proceder pelo menos à anotação de alguns tópicos a serem desenvolvidos posteriormente. Nem todos resultaram em relatórios detalhados – mas impediram no mínimo que a memória da experiência se perdesse por completo.     

     Como não tinha ainda dimensão, quando comecei a dar aulas na Primeiro Degrau, da necessidade de registrar a experiência, este relatório começa meio de supetão – começa exatamente na percepção de que necessitava deste registro, como forma de organizar as idéias, refletir sobre a prática e elaborar novas propostas.



                                                                             Julho                                                                 



     Julho foi um mês bastante interessante, apesar do número de alunos se reduzir bastante (a creche não entra em férias, mas muitos pais sim).  A idéia de fazer anotações a respeito das aulas trouxe não só a possibilidade de consultar ocorrências passadas (na verdade, ainda não precisei disso, porque as anotações ainda são muito recentes – mas é curiosamente reconfortante saber que posso fazê-lo quando necessitar), mas, principalmente, uma espécie de atenção redobrada, um cuidado maior na observação da galerinha. É como se, ao me dar conta de que preciso descrever as atividades, isso me colocasse numa perspectiva diferente para observar a eles e a mim mesmo – uma perspectiva mais atenta, mais minuciosa. Não sei se isso ajuda de fato, em termos de rendimento – mas sinto-me menos inseguro.

     Durante julho, frequentemente tivemos as turmas reunidas numa só, pela menor assiduidade das crianças. Quando chove, então, é um deserto, de manhã não vem quase ninguém. Mesmo assim, a junção de todo o grupo em uma única turma é um elemento a mais de dificuldade, mesmo quando são poucos, em função das diferenças de faixa etária. É quase impossível achar uma proposta comum (que reúna todos eles numa mesma atividade satisfatoriamente). Só a título de exemplo, ontem tentei experimentar o Animal companheiro. Não funcionou. O nível de compreensão e capacidade de representação do animal, pela diferença de idades, era muito heterogêneo. Ninguém entendia o que o outro estava fazendo, nem eu.




Animal companheiro: o orientador sorteia, entre os participantes, várias duplas de animais. O sorteio será secreto, feito através de papeizinhos com os nomes dos animais, e nenhum atuante poderá saber previamente qual o animal que coube a qualquer um dos outros. Claro que, no caso de crianças que ainda não lêem, o professor dirá verbalmente a cada criança em particular qual foi o animal sorteado por ela. Cada atuante deverá então representar corporalmente (sem a utilização de voz em circunstância alguma) o seu animal. Todos farão o mesmo, simultaneamente. Ao mesmo tempo em que representam, deverão observar-se uns aos outros, até identificarem qual é o “animal” da mesma espécie que o seu.




     No momento em que decido trabalhar de forma mais sistemática, inclusive com registros periódicos, torna-se mais complicado trabalhar com método. Mas deve ser só neste mês, em agosto acho que as coisas se acertam.



     Mesmo com essa junção de turmas, é interessante verificar as diferenças de recepção e reação deles às propostas. Aliás, é uma maneira particular de observação, diferente de pegar toda uma turma da mesma faixa. Mesmo agindo mais individualmente, já que as turmas estão descaracterizadas, crianças de faixas etárias semelhantes reagem muitas vezes de maneira semelhante (mas não do mesmo jeito que quando a turma toda está reunida). As crianças de Jardim e de Mini parecem as mais tranqüilas de se trabalhar, no sentido da previsibilidade. É mais fácil prever a reação destes grupos do que do que a das crianças de Maternal. O Mini é, sem dúvida, a turma com maior índice de correspondência, não obstante ser a de menor idade. O Maternal adora tudo, mas não faz nada, absorvidos em suas próprias experiências.


    Um fato particular me chamou a atenção no início do mês. Ocorreu com Marília, uma menina de 3 anos e meio, matriculada recentemente no Maternal, no período da manhã (ao final de junho, se não estou enganado). Demonstra muita timidez, fala muito pouco e brinca mais sozinha do que com as outras crianças. Manifesta certa simpatia comigo: quando sorrio para ela, ela sorri de volta, e às vezes percebo-a observando atentamente meus movimentos, quietinha no seu canto.

     Brincávamos no pátio, quando a percebi encostada no muro, com expressão angustiada. Me aproximei e percebi que quase chorava, as lágrimas começavam a brotar. Perguntei delicadamente o que ela estava sentindo. Não houve resposta de início, mas depois de certa insistência, ela começou a sibilar baixinho. Emitia um “shhhhh...”, repetidamente, como se pedisse silêncio a alguém. Mas era evidente que o sentido da coisa era outro. Em dado momento, ela emitiu o som duas vezes, rapidamente, “sh...sh...”. Caiu a ficha. “Xixi? Você quer fazer xixi”? Ela me olhou aliviada e balançou a cabeça afirmativamente. Chamei tia Taíssa, que me ajudava a cuidar do grupo, e pedi que a levasse ao banheiro. Fiquei me perguntando o que levaria uma criança daquela idade a ter essa dificuldade de fazer um pedido simples. “Simples pra quem?”, a pergunta me atravessou como um relâmpago. Tinha que cuidar do grupo que se ameaçava se dispersar, enquanto eu lucubrava e Taíssa levava Marília ao banheiro. A pergunta continuou me martelando o resto do dia.



Agosto



     Mini: Para o Mini existe um certo número de atividades “prontas”: mi-mom, peguei!, chamar não-sei-o-quê, bichos em geral, etc.






Mi-mom, peguei!, chamar não-sei-o-quê: estas atividades guardam certo aspecto de “ginástica para bebês”. São essencialmente motoras, apesar de trabalharem também com a voz e o ritmo. “Mi-mom” consiste em sentar-se de pernas cruzadas e balançar o corpo ritmadamente de um lado para o outro, apoiando no chão uma das mãos de cada vez, ao mesmo tempo em que se as utiliza para dar impulso para o movimento seguinte. Junto com este movimento, repete-se a ‘expressão’ mi-mom, acompanhando o ritmo. Essa brincadeira foi inventada pelo Breno, um menino de pouco mais de um ano. Ao vê-lo fazendo isso no pátio, comecei a imitá-lo. A galerinha adorou, começou a nos imitar também e a partir daí o joguinho virou atividade comum.

     “Peguei” consiste em fechar a mão no ar, num gesto firme e rápido (como se tentássemos, por exemplo, agarrar um mosquito) e afirmar ‘peguei!’, igualmente de maneira rápida e firme. Pegou o quê? Não importa, é só um jogo pra movimentar o corpo e a fala. Cada um imagina o que está pegando. Depois de “pegar” alguma coisa, balançava-se a mão no ar, soprando-a, a título de descanso. A brincadeira joga com a tonicidade muscular, com as mecânicas de tensão e relaxamento.

     Por fim, o jogo de “chamar” consiste em direcionar a atenção para alguma coisa (um pássaro, um brinquedo) e chamá-lo: “avião, vem cá”! Ao mesmo tempo se faz um gesto de chamamento com a mão. Exercitava-se dessa maneira volumes diferentes de voz, a comunicação gestual e a idéia de distância.

     Esses jogos podem parecer bem bobinhos para quem nunca trabalhou com bebês. Muitas ações que desenvolvemos com a Educação Infantil parecem por vezes recheadas de superficialidade e inconseqüência. É importante lembrar que se não nos livrarmos um pouco de nossa pretensa adultice e nossas noções equivocadas de ‘ridículo’, vai ficar difícil trabalhar com essa faixa etária.





Mas estas atividades não são suficientes para os dois turnos, porque muitas crianças ficam em tempo integral e nem sempre têm saco para repetir certas ações. Assim, sempre rola alguma dispersão. Já se faz necessário o desenvolvimento de outros tipos de jogos.  À tarde, tia Marlene observou que este turno é mais animado que o da manhã, por ter mais crianças.  Será? À tarde, pintou pela primeira vez uma coisa que funcionou muito bem: brincar de roda (como é que eu não tinha pensado nisso antes?!?). Todos se divertiram muito, particularmente Júlia. Vale repetir.



     Maternal: Em geral, as aulas do período da manhã foram tranqüilas, inclusive pela baixa freqüência. Choveu muito este mês. Os mais assíduos eram Diogo, Morena, Adrielle, Fabiana, André e Marília. Quando são poucos, a união entre eles é natural. E quase sempre foi ótimo o entrosamento de André, quase bebê, com os outros, quase Jardim na maioria. Marília pouco a pouco deslancha. Seu vocabulário se amplia, mesmo que suas falas ainda sejam em geral breves. Tia Berta observou, meio a contragosto: “Essa menina só fala na sua aula”. Ontem, ela quase contou uma história com um fantoche. Pegou o boneco, enfiou na mãozinha com muita desenvoltura e fez vários movimentos, dizendo algumas palavras soltas, mas não chegou a articular uma frase. Pelo menos não que eu entendesse. Mas aproveitei a deixa e tentei mais uma vez a rodinha de contar histórias passando o fantoche um para o outro. Gostaram de manipular o boneco, mas nada de conjunto, muito menos de encadeamento de pensamento. Em meio à dispersão progressiva, nem mesmo os bichos funcionaram muito bem.

     Ou seja, infelizmente, nenhum trabalho específico, algo que permita encadear sequências de atividades com a turma. De boa vontade o inferno está cheio, e apesar de minha tentativa de dar mais consistência às atividades, inclusive através dos relatórios, o Maternal ainda é o grupo que mais sofre com a dificuldade de implantação de um programa, de planos e direcionamento. À tarde, quando são muitos, a dispersão auxilia o caos quase total.

     Hoje à tarde, no entanto, até que a improvisação funcionou: armando um teatrinho com cubos, lonas e carinhas de cartolina, deu pra trabalhar toda a meia-hora. Não foi propriamente uma atividade conjunta, mas um ambiente rico em explorações – mais uma vez.



     Jardim: A aula de teatro (ou puramente a minha pessoa) tem provocado frequentes comportamentos de regressão. Quando aceito tais comportamentos e correspondo com o afeto esperado, é quando mais consigo manter controle sobre os alunos. Mas isto também estimula a competitividade, pois esses processos são individuais e visam obter atenção particular. Será, mais uma vez, a tal “figura masculina” a resposta?






Figura masculina: A instituição escolar, particularmente as de educação infantil, configurou-se ao longo do século XX como um lugar ocupado basicamente pelas mulheres, como demonstra esse trecho do artigo Masculino e feminino, de Lívia Perozim, publicado no número 109 da Revista de Educação: “Como a escola é um ambiente majoritariamente feminino, não é fácil encontrar professores do sexo masculino, principalmente no ensino infantil ou nas séries iniciais do ensino fundamental. Até meados do século XX, a única oportunidade que as mulheres tinham de permanecer nos estudos eram os cursos normais, formadores de professores. Aos poucos, houve uma identificação da profissão com a feminilidade, e as mulheres foram autorizadas a freqüentar esses ambientes”. Assim, mais ou menos desde os anos 70 discute-se a ausência de um modelo de comportamento masculino no ambiente educacional. No momento em que comecei a trabalhar com a pré-escola, essa discussão estava na ordem do dia. O fato de a Primeiro Degrau pensar em um homem para a aula de teatro passava também por esse viés.


   

     Tô começando a achar pouco.

     De manhã, só pra variar, trabalhamos com os bichos. É insistência deles, dificilmente aceitam começar com outra coisa. Por incrível que pareça, nem mesmo o Mini curte tanto os bichos como o Jardim. Talvez seja natural: animais suscitam sentimentos de ternura e comportamentos de proteção. Quando isto vai ficando insuficiente, os animais começam a morrer, para causar sentimentos de perda e culpa e castigar o tio desatento.

     À tarde, em princípio achei que não ia conseguir dar aula de novo. Super-tia Berta deu uns toques, eu umas estocadas e consegui um pouco de atenção. Tentei construir com eles uma cidade, ou melhor, nem cheguei a tentar: apenas propus. Não estavam nem aí. Queriam bichos. Vamos lá, bichos. Primeiro, as casas dos bichos; depois, bichos ferozes e tal. Dali a pouco os bichos começaram a morrer. Morria um, vivia outro, e assim decorreram os minutos finais. Tia Berta e Tia Helena observavam tudo, dando a impressão (sem expressão) de ceticismo e desafio.

     Não foi a primeira vez que experimentamos a idéia da morte. Mas antes, parecia ser apenas a vivência inconseqüente de um fato que desperta curiosidade. Agora, a vivência desejada não parece ser a da morte e sim a de causar culpa e, consequentemente, despertar o afeto.



Setembro



     Mini: Depois do sucesso das brincadeiras de roda, na semana passada, comecei a desenvolver atividades mais “concretas” com o Mini. Por “concreto” refiro-me a atividades com um grau maior de representação de alguma coisa, ao contrário de ações de conteúdo mais eminentemente motor, como mi-mom ou peguei. A coisa acabava consistindo mais numa espécie de play-ground, mas pelo menos pique é o que não faltava.

     Além da própria roda, utilizamos diversas simulações de meios de transporte ou de locomoção: fingimos andar de barco, pular na água, nadar, andar de cavalo, andar de avião, etc. Tentei trabalhar com eles a diferença entre nadar na piscina, com movimentos mais tranqüilos, e nadar no mar, enfrentando ondas, etc. Acho que eles não entenderam direito, mas gostavam muito de alternar a intensidade dos movimentos de braços e pernas, entre um ritmo mais suave e outro mais forte, dentro lá do jeitinho deles. Acabávamos sempre brincando também de bichos, de maneira livre (pra variar), envolvendo nisso algumas caçadas e perseguições.

    

     Uma questão que envolveu certa tensão durante um período de setembro foi o relacionamento entre Igor e Lúcia, do turno da tarde. Conversando com a Nadja sobre o episódio, soube que Lúcia vinha apresentado comportamentos agressivos e de competição de uma maneira geral, vinculados talvez ao nascimento de seu irmãozinho – a questão do ciúme infantil, frequentemente abordada pela psicologia. Por algum motivo Igor polarizou, na minha aula, as reações de Lúcia, e algumas vezes as ocorrências eram bastante tensas. Mas a culminância do episódio foi surpreendente e emocionante. 

     A coisa começou (ou, pelo menos, eu passei a prestar atenção nela) num dia em que brincávamos de andar de barco. Tentava levá-los a fazer, com os braços e o tórax, o movimento de uma vela de barco enchendo e murchando, de acordo com o vento. Igor não se interessou muito pela ação física, mas a palavra barco o fez lembrar-se de um barquinho que havia no caixote de brinquedos. Ele foi até lá, pegou o barquinho e começou seu jogo individual, desligado da gente. Com muita freqüência eu não interferia quando isso acontecia com qualquer um deles (afinal, são crianças de cerca de dois anos), a menos, é claro, que a debandada fosse geral. Continuei trabalhando com a turma normalmente e Igor ficou lá no canto com seu barquinho. Ocorre que Lúcia, que até aquele momento estava bastante envolvida com a nossa brincadeira, percebeu Igor desligado do grupo e foi até ele. A essa altura eu já estava com um olho no gato e outro no peixe, atento a uma possível dispersão de toda a turma. Lúcia sentou-se ao lado de Igor, sem dizer uma palavra, e observou por alguns segundos. Então tirou o barco das mãos de Igor, sem violência. Apenas pegou-o. Igor olhou pra Lúcia, olhou pro barquinho, balbuciou “é meu” e pegou o barquinho novamente. Lúcia começou um chorinho em primeira marcha, engatou a segunda e foi até a quinta. Seu choro atraiu a atenção do grupo e a atividade desandou. Eu e tia Vera tentamos tranqüilizá-la de diversas maneiras, mas a única solução foi a chupeta.

     Depois dessa primeira ocorrência, outras vieram. As ações de Igor, isoladas ou junto ao grupo, sempre chamavam a atenção de Lúcia, que frequentemente queria o objeto que estava com ele, ou o colo onde ele estava, ou tirá-lo da cadeira em que ele se sentara.

     Na quinta-feira, 26 de setembro, o refeitório passava por uma série de modificações, por isso os lanches foram servidos na sala.  Eu terminava a atividade e, como havíamos usado alguns brinquedos, estávamos guardando-os no caixote. Pra variar, Lúcia e Igor começaram a brigar novamente, exatamente por causa do barco que havia motivado (coitado do barco, que não tem nada com isso!) o início da coisa toda. A chegada do lanche foi a salvação, e consegui “separar” os dois e guardar o barco, sem maiores conseqüências. Pelo menos, foi isso que eu pensei.



     Todos comiam seu biscoitinho, felizes e satisfeitos, no seu canto, quando Igor, movido por alguma necessidade de justiça ou reparação, decidiu que era hora de um revide. Levantou-se, foi até Lúcia e pegou o biscoito dela. Lúcia começou a chorar, mas não de maneira passiva – chorando, avançou pra Igor e tomou-lhe o biscoito. Desta vez o choro é de Igor, e enquanto eu e tia Vera tentamos consolar a ele, a Lúcia e colocar ordem na casa, ocorre a surpresa: Júlio vai até o caixote, pega o barquinho e o oferece a Igor, numa ação de solidariedade que eu nunca havia presenciado num bebê daquela idade. Igor diminuiu o choro, meio perplexo, e aceitou o barquinho. Tia Vera comentou: “olha que lindo o Júlio, gente, ele deu o barquinho pro Igor não ficar triste”! Foi a conta. Todos os outros nenéns foram até o caixote e trouxeram algum brinquedo para Igor, à exceção de Lúcia que, se não teve a mesma atitude, por outro lado observou sem reagir, nem mostrar agressividade. Pensei se não deveria estimular a galerinha a fazer o mesmo com ela, para que ficassem ambos, Lúcia e Igor, igualmente satisfeitos (o que estaria se passando na cabeça dela?). Mas pensei que isso seria forçar uma ação que havia acontecido espontaneamente. Além do mais, todos, gradativamente, já começavam a voltar pro seu lanche e a paz voltara a reinar. Achei melhor deixar como estava. Mas fiquei impressionado diante desse momento, pra mim inédito, de companheirismo.

Nenhum comentário: