domingo, 9 de agosto de 2009

PANTCHA TANTRA - POSTAGEM 5



6 - O GROU ESPERTO E O CARANGUEJO AINDA MAIS

Era uma vez um velho grou que vivia na margem de um grande lago em meio à selva. Já idoso, não era mais capaz de pescar ou capturar insetos. Molestado pela fome, parou à beria d’água e começou a chorar de maneira comovente. Vendo isso, um caranguejo que passava perguntou.
“Amigo, o que se passa? Por que não está caçando hoje”?
“Sinto-me culpado por ter engolido tantos peixes. Decidi deixar-me morrer, não apanhando mais nem mesmo os peixes que estiverem bem ao meu lado”, disse o grou.
“Puxa, mas como você está filosófico hoje”, respondeu o caranguejo.
“Nem poderia ser de outro modo. Ouvi dizer que não haverá chuva pelos próximos doze anos. Os astrólogos previram uma má conjunção dos planetas. Sempre vivemos, aqui, todos juntos, por anos. Agora me preocupo com a sorte que aguarda estes pobres peixes e outras criaturas do lago. Vão todos morrer, e eu ficarei completamente só”.
“Não haverá uma maneira de nos salvarmos”?
“Bem, os peixes e outros seres aquáticos de outras bandas estão, nesse momento, migrando para os grandes lagos, com a ajuda dos parentes. Aqui, ninguém parece se importar com este futuro sombrio. Com o tempo, não haverá mais aqui um peixe sequer”.
O caranguejo levou esta informação aos outros moradores do lago. Alarmados, todos foram até o grou, pedindo que ele lhes mostrasse como evitar o perigo.
“Por quê não?”, disse ele. “Há um grande lago não muito longe daqui, que permanece cheio o ano inteiro e repleto de lótus em flor. Esse lago não secará, mesmo que com uma estiagem de doze anos. Posso transportar todos vocês, um por um, até este lago”.
Os pobres peixes e as outras criaturas aquáticas imediatamente depositaram toda a confiança no grou e concordaram em ser transportadas.
Todo dia o grou levava um deles a um lugar ermo, esmagava-o contra uma pedra e comia-o. Então voltava ao lago e repetia o truque.
Um dia o caranguejo perguntou ao grou: “Velhinho, você está levando todo mundo ao outro lago, menos eu. Por quê não me leva hoje, salvando minha vida”?
Cansado de comer apenas peixe, o grou ficou gostou da idéia de levar o crustáceo ao lago que não existia. O caranguejo, feliz, montou nas costas do grou. E quando este voou próximo ao local em que havia comido os peixes, o caranguejo viu um amontoado de ossos, perguntando:
“Velhinho, já viemos bem longe e não vejo lago em lugar nenhum. Diga-me, onde está ele”?
“Você é um tolo por confiar em mim. Não existe lago, nem água. Comece a rezar: eu vou matá-lo”.




O esperto caranguejo agarrou o pescoço do grou com suas pinças e rasgou-o até matar a ave. Lentamente, carregando o pescoço do grou, caminhou de volta até o lago, onde todos os seus amigos, preocupados porque o grou não voltava, perguntaram-no porque voltava ele, o caranguejo, que respondeu:
“Seus bobos, aquele grou estava levando todos a um lugar solitário, onde esmagava suas vítimas contra uma rocha e depois as fazia de almoço. Eu descobri seu plano e me salvei, retalhando seu pescoço. De hoje em diante, todos nós podemos viver felizes e sem medo”.

“Os corvos então”, continuou Damanaka, “perguntaram ao chacal como eles poderiam dominar a cobra que se banqueteava com suas crias. O chacal disse que eles deveriam ir a uma grande cidade, roubar qualquer peça da joalheria do palácio e jogá-la no oco da árvore que era a casa da cobra. À procura da jóia, os soldados do rei encontrariam a árvore e matariam a cobra. Os corvos então voaram até um lago onde as mulheres do harém do rei se banhavam. Antes de entrar na água, elas deixaram suas roupas e jóias na margem. O corvo-fêmea deu um hábil rasante e roubou um colar de ouro. Depois voou lentamente sobre o esconderijo da cobra. Os homens do rei viram a fêmea voando com o colar e jogando-o no oco da árvore. Correram até lá, tiraram a cobra do oco e a mataram”.
“Eis porque”, continuou Damanaka dizendo a Karataka, “os antigos ensinam que os sábios são mais fortes que os fortes. Foi também assim que um pequeno coelho matou o leão todo-poderoso”.
“Como foi?” perguntou Karataka.
“Esta é uma outra história”, disse Damanaka.

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