segunda-feira, 8 de junho de 2009

PANTCHA TANTRA - POSTAGEM 2


3 - O CHACAL E O TAMBOR

Um chacal faminto saiu à procura de comida e acabou chegando a um campo de batalha abandonado, onde ouviu alguns estranhos sons. Assustado, pensou: “É melhor eu sumir daqui, antes que o homem que produz este barulho me pegue”. Mas logo depois disse a si mesmo, “não devo sair correndo dessa maneira. É melhor tentar encontrar quem ou o que realmente produz estes sons, seja isso bom ou ruim. Algumas pessoas nunca lamentam seus atos. Deixe-me primeiro identificar a razão deste som”.
Cautelosamente, o chacal marchou em direção ao ruído e encontrou um tambor. Era esse tambor que emitia os sons, sempre que os galhos de uma árvore ao lado batiam contra ele. Aliviado, o chacal começou a tocar o tambor, e logo pensou que tal vez houvesse comida dentro dele. Abriu uma fenda na lateral do tambor e entrou, mas não havia comida lá. Ficou desapontado, mas consolou a si mesmo lembrando que havia vencido o medo do som.

“Por conseguinte”, Damanaka disse ao rei, “Sua Majestade não tem por quê temer quaisquer sons. Peço permissão para investigar a razão destes”.
“Concedida”, disse o rei. Damanaka deixou-o, indo em direção aos sons. E o rei agora preocupava-se com as intenções do chacal. “Deve guardar algum rancor, por eu tê-lo demitido. Muita gente vive à espera de vingança. Não devo confiar nele. Vou mantê-lo sob vigilância. Os sábios sempre dizem que é difícil matar mesmo um fraco que não confia em ninguém, mas fácil matar um forte que confia em qualquer um”. Foi o que o rei pensou.
Enquanto o rei pensava essas coisas, Damanaka acabou encontrando Sanjeevaka, o novilho. Percebeu que o som, afinal, era produto apenas de um animal e pensou: “Bom sinal. Isso vai me ajudar a cair novamente nas boas graças do rei. Os reis nunca ouvem seus ministros, a menos que estejam em perigo ou aflição. Assim como um homem saudável não precisa de médico, um rei forte e seguro não precisa de ministro”. Assegurando-se de que o que via era apenas um vitelo, Damanaka voltou ao rei e contou-lhe o que viu.
“Isto é verdade?”, perguntou o rei.
“O rei é Deus. O homem que mente a um Deus, perece. Somente o rei tem o poder de fazer o bem”.
“Acredito em você. Os grandes homens não prejudicam os fracos. Enfrentam apenas seus iguais. É uma verdade entre os que têm valor”.
“É verdade o que diz Sua Alteza. Sanjeevaka é forte. Se o rei me der autorização, vou persuadi-lo a ser seu servidor”.
“Está certo. Estou lhe restituindo seu cargo de ministro”, disse o rei, agradecido.
Damanaka rapidamente voltou a Sanjeevaka e disse a ele que parasse de mugir e fosse encontrar o rei. Mas o novilho queria saber quem era Pingalaka.
“Quê? Não conhece nosso senhor? Espere, você conhecerá logo o preço de sua ignorância. Ali está ele, cercado por seu séquito, à sombra das árvores”. Sanjeevaka achou que seus dias estavam contados e instou com Damanaka, “Senhor, parece ser um homem de grande sabedoria e juízo. Só o senhor pode salvar-me. Irei apenas se o senhor me assegurar que nenhum mal me acontecerá”. Damanaka disse ao novilho que esperasse a hora certa de encontrar o rei. Retornando a este, Damanaka disse-lhe “Majestade, ele não é qualquer um. É um emissário do deus Shiva. Disse que Shiva permitiu-lhe comer a grama fresca nas proximidades do Jamuna. Mas eu disse a ele que a floresta pertence ao rei leão, que é emissário da deusa Chandika. Convidei-o a conhecer o rei e pedir a delimitação de um pasto. E ele concordou, desde que tenha sua segurança garantida por Sua Majestade”.
“Certamente. Mas quero também segurança, em troca. Traga-o aqui”. Damanaka retornou ao novilho, dizendo: “Você tem a garantia do rei. Mas sua nova posição não deve lhe subir à cabeça. Termos que trabalhar juntos. É assim que prosperaremos. Além disso, aquele que não respeita a ninguém, nem o nobre nem o plebeu, perde os favores do rei, como Dantila”.
“Que aconteceu com Dantila?”, perguntou Sanjeevaka.

Um comentário:

Deise disse...

Olá, que blog maravilhosos é este!!!
Adorei as postagens, sou apaixonada pelo mundo das histórias e folclore, seu blog é tudo de bom. Parabéns, bjs